Por agora vou continuar nos prazeres da carne.
Enfiaste-nos numa linha férrea de carris estreitos, com muitos apeadeiros e estações, que tal como a linha do Tua, de quando em vez rola um calhau e balda-nos para o precipício.
Vamos lá tentar deslindar isto.
A música tradicional ou de cariz tradicional como alguns a preferem chamar, para mim, música popular, que nada tem a ver com a apelidada música “Pam, ai meu amor, Pum se tu quiseres, Pimba”.
Feita pelo povo e para consumo próprio.
Como ritual de trabalho, religiosa ou pagã.
Está na raiz da maior parte da música que por cá se faz.
Vou começar por aqueles que se preocupam, ou preocuparam por a recolher, ou como disse anteriormente a “engarrafar”. O maior impulsionador desta actividade, a minha homenagem, esse corso que um dia se estabeleceu por Portugal nos anos sessenta, Jean-Michel Giacometti. Sem o seu trabalho e do grande Fernando Lopes-Graça muita da (in)formação musical de Portugal tinha ido …
Cresci com alguns discos em casa (fica sempre bem dizer isto) dos quais ainda me lembro bem e que aqui queria referenciar como, para mim, bons exemplos.
O primeiro e do qual não encontrei quaisquer referências áudio ou visuais na net, o que me deixou assaz surpreendido, são os “Terra a Terra” de Ana Faria (sim a dos Queijinhos Frescos) e Mário Piçarra (filho de um grande lampião, lamentavelmente), principalmente no álbum “Pelo Toque da Viola”.

Outro que também “engarrafou” e bem e que tornou hinos da música tradicional temas como “Menina estás à janela”, “ Se fores ao Alentejo”, “Vou-me embora vou partir” ou “Semear salsa ao reguinho” foi Vitorino Salomé, todas estas e muitas mais foram descobertas por ele, que infelizmente depois de uns mojitos e margaritas na ilha do homem do fato de treino Fidel, se passou para o “outro lado”. Muita pena!
Fausto, Julio Pereira, Zeca Afonso de entre muitos outros merecem também destaque.
Mas nem só nesta geração se fez este trabalho, e enquanto se faz por aí muita publicidade enganosa e se vendem discos com música “p’ra pular” com Bacalhaus e Estradas para iludir, há alguém que trabalha bem, como é o caso dos At-Tambur, de quem aconselho não só a música como também o sítio internautico.
http://attambur.com
Bom Ano!